Gratidão. s.f. 1. Qualidade de quem é grato. 2. Reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento, reconhecimento.
Dentro da psicologia, apenas quando desenvolvemos a capacidade de ter gratidão conseguimos estabelecer troca de amor nas relações. Porque gratidão é capacidade de reconhecer que alguém nos deu algo generosamente.
Em que momentos nos percebemos gratos? Quais benefícios reconhecemos como tais e agradecemos?...
Gosto de ter mestres e educadores, pois o aprendizado pode ser e é diário, hoje fui a uma palestra e tirei algumas frazes e poemas, como segue:
Fernando Pessoa
Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúdica e rica,
E eu sou um mar de sargaço ---
Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
Fique Zen
quinta-feira, 3 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
Maverick
Nas minhas visitas aos Estados Unidos da América, conheci e fiz vários amigos e companheiros de negócios.Um deles me marcou de forma importante, sendo colecionado como um dos meus mestres. Isto foi interessante, pois a principio temos nos americanos como um povo frio e desprovido de sentimentos, somente pensando em resultados e dinheiro.
Este velho amigo chama-se Larry. Mr. Larry!
Larry mora no interior do Kansas, estado eminentemente tradicional, formado de pequenas propriedades rurais e em frente de muitas casas, a bandeira americana sempre está hasteada. Ele é um homem com mais de 65 anos de idade, é casado e tem um casal de filhos já adultos, com mais de 40 anos cada um. Sua vestimenta, cabe aqui salientar, é muito engraçada para nós brasileiros, pois trabalha todos os dias no escritório vestido de cowboy, é isto mesmo, cowboy! Diariamente aporta no seu escritório calçando botas de couro bico fino, cinto com uma fivela metálica bem grande e chapéu.
Todas as vezes que eu ia para os USA, ele me convidava para visitar a sua casa e jantar com a sua família, mas eu sempre desconversava, porque não gosto de misturar negócios com a vida pessoal.
Bem, até que um dia ele insistiu tanto, e eu já não tinha como negar e inventar mais desculpas. Tive que encarar um jantar tipicamente americano as 6:00hs da tarde, é, porque lá no interior eles jantam esta hora. Fui recebido por toda a família do Larry e fiquei muito lisonjeado.
Depois do jantar, eu o Larry e sua família sentamos na sala para jogar conversa fora, porque eles tinham muitas perguntas e curiosidades sobre o Brasil.
“Lá pelas tantas”, o Larry perguntou onde os brasileiros gostam de passar as férias, e o papo foi assim:
- Johnny (lá os amigos me chamam de Johnny), onde os brasileiros gostam de passar as férias?
- Bem, lá no Brasil o pessoal gosta muito de ir à praia.
Então eu retruquei a pergunta:
- Larry, e aqui no interior dos USA, onde vocês vão?
- Para o deserto!
Assim eu pensei: Que povinho mais estranho este, ir para o deserto! Eu prefiro a praia!
O Larry continuou com a sua defesa na preferência pelo deserto:
- Sabe Johnny, o deserto é muito interessante, não tem quase nada e o silencio é descomunal. Lá no deserto eu faço meditação todos os dias, é o lugar ideal para isto. O silêncio é tão grande que podemos ouvir o silencio da alma!
O Larry continuou:
- Eu e minha esposa gostaríamos de te levar amanhã no deserto, topas?
Respondi:
- Sim, é claro, vamos amanhã.
No outro dia, lá no deserto, tudo aconteceu como deveria, o silencio, o calor, as pedras, areia, etc.
Mas um fato chamou a minha atenção. Foi quando eu vi uma poeira ao longe e perguntei para o Larry:
- O que é aquilo Larry?
- Ah! São cavalos trotando em disparada.
- Cavalos?
- Sim, cavalos. São os Mavericks!
- Larry, eu achava que Maverick era um carro antigo e fora de linha no Brasil!
- Não, Maveriks são cavalos selvagens e sem direção, na realidade um Maverick é:
- Animal sem dono; vagabundo; desertor; adjs. de dissidente; com estilo próprio, que não vai com os demais; excursionista, sem donos.
Tai, gostei desta definição, porque me acho assim, não vou com os outros, tenho opinião própria e não podemos ser manipulados quando não queremos!
terça-feira, 1 de março de 2011
Sanduiches, agendas e pessoas
Em visita a China, estava sempre acompanhado de meu fiel escudeiro e tradutor Mr. Liu. Liu é um jovem chinês, muito educado e ateu, formado em Tecnologia da Informação, é o protótipo de tudo que se diz e escreve sobre a nova classe dominante chinesa.
Um belo final de semana, Liu me convidou para conhecer um mosteiro Budista. Oh! Que grande honra, eu estava muito curioso e excitado. Finalmente, visitar um mosteiro, lá no berço desta civilização e ver tudo no original, sem interpretações. Ótimo!
Então nos deslocamos para o interior de Xangai, para visitar o tal mosteiro Budista. Chegando lá, fomos acompanhados por um discípulo Budista, que serviu de guia para a nossa visita. Estava tudo correndo como eu esperava. O lugar maravilhoso, com estatuas, fontes, bonsais e tudo o que se tem direito de quando vemos um filme de época.
Ao longo da visita algo chamou a minha atenção, pois a todo o momento, o nosso discípulo guia, passava a mão no abdômen. Fiquei curioso com aquele gesto, que repetia-se de quando em quando.
Comecei a pensar, será que este gesto do discípulo é uma forma nova de meditação, uma massagem diferente, ou até quem sabe uma nova forma de atingir-se o Nirvana?
Bem, como todo ocidental e brasileiro, não me agüentei de curiosidade e disse para o Liu.
- Liu, pergunta pra ele porque ele passa a mão a todo o instante no abdômen?
Então o Liu perguntou:
- 你为什么要通过在腹部任何时候都手?
O discípulo respondeu:
- 这是因为我有一个胃痛! É por que tenho dor de barriga!
Quando o Liu me disse a tradução da resposta, estouramos em gargalhadas. Nos esquecemos onde estávamos, naquele local calmo e silencioso. Chamamos a atenção de todos os turistas que estavam na volta. O que estes loucos estão rindo!
Depois de passada as gargalhadas, não fiquei satisfeito com a simples resposta e solicitei para o Liu e o discípulo Budista que me levassem até o seu mestre. Eles entreolharam-se, ficaram com cara de “babacas” e incrédulos, mas finalmente toparam que eu falasse com o tal mestre.
Chegando na sala reservada ao mestre, onde segundo o Liu, os turistas não poderiam entrar, fiz as reverencias necessárias para a aproximação e iniciamos a conversa com o mestre. Fui direto ao ponto e perguntei para o mestre:
- Mestre, você sabe que um dos seus discípulos está com dor de barriga?
O mestre respondeu de pronto:
- Sim eu sei!
Não contente com a simples resposta, “cutuquei a onça com vara curta”!
- Por que o seu discípulo está com dor de barriga mestre?
O mestre foi também direto e objetivo na resposta:
- O meu discípulo está com dor de barriga por que confundiu e comeu um sanduiche, uma agenda e uma pessoa, sem fazer diferença nenhuma entre estes objetos!
Bem, moral da história, como toda a história tem uma moral, lá vai!
Como gosto de conceitos, vou abordar e discorrer sobre o que é um sanduiche, uma agenda e uma pessoa, para facilitar a minha vida, vou no Wikipédia, é mais fácil control “C” e control “V”!
Sanduíche (do inglês sandwich), também chamado de sanduba no Brasil e de sande ou sandes (género gramatical feminino) em Portugal, é um tipo de alimento que consiste em duas fatias de pão, entre as quais é colocada carne, queijo, ou outro tipo de alimento. Também pode ser feito com um pão inteiro, geralmente de pequenas dimensões.
Os sanduíches são habitualmente consumidos ao lanche, ou, como uma refeição rápida, durante o almoço ou jantar.
Agenda é um pequeno caderno onde o usuário faz as anotações de compromissos e horários. É uma ferramenta de trabalho, e só cumpre sua função quando é plenamente utilizada. Além disso, as agendas vivem apenas um ano; elas tem vida curta, e após o seu período de validade, não servem para mais nada. A agenda foi feita para receber anotações, registros e informações.
Pessoa é um vocábulo provavelmente de origem etrusca, do qual proveio o termo em latim persona, que originalmente significava a ‘máscara, figura, personagem de teatro, papel representado por um ator’, e daí assumiu o significado de ser humano. Entre os juristas romanos, passou a designar ‘ser que tem direitos e obrigações’.
Complementando, pra mim, a pessoa também é provida de espírito, alma e sentimentos...
Passei a minha vida toda confundindo estas 3 coisas: sanduiches, agendas e pessoas e tendo dores de barriga.
Os sanduiches, como dito acima, são feitos de partes e consumidos de forma rápida, já as pessoas com sentimentos não podem ser fragmentadas em partes, fatiadas e nem consumidas de forma rápida. Temos o costume de fragmentar e sanduichar as pessoas, mas isto é impossível, porque somos únicos.
A agenda é um pedaço de papel onde anotamos e enclausuramos o tempo. Quando confundimos com pessoas, achamos que podemos agendar os sentimentos e as pessoas, ou seja, quem sabe colocamos para o dia 23 das 14:00 ás 15:00 o Antônio e sua ira, logo depois a Maria com sua melancolia... Para o outro dia pela manhã, a partir das 9:00 a reunião está agendada com o Amor, bem este pode esperar...
E finalizando, tudo isto temperado com o tal do tempo, ou com a falta de tempo. Devemos trocar o termo falta de tempo por falta de vida, logo cada vez que dizemos não tenho tempo pra ti, temos que pensar que não tenho vida pra ti. Este é um bom exercício que tenho feito ultimamente, pois cada vez que penso no tempo, troco os termos e refaço para não tenho vida para isto, não tenho vida para aquilo ou para ela!
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
ZEN-BUDISMO x AMOR & TAO

Um belo dia o Zen-Busdismo acorda pela manhã e resolve tirar as caras com o Amor. O Zen-Budismo pensou: Sou o melhor, sou superior, o Amor não me vence, eu domino o Amor!
Já o Amor no mesmo dia, levantou de manhã, lavou a cara, escovou os dentes e disse:
- Quem o Zen-Budismo pensa que é? Que cara atrevido! Eu sou o melhor, vou derrubá-lo!
E assim estabeleceu-se uma guerra para ver quem era o melhor e quem venceria esta batalha?
Marcaram um encontro na esquina e assim iniciou a peleia!
Bem, agora vamos deixar os dois na esquina discutindo e olharmos alguns fatos, algumas explicações e conceitos para tentar de alguma forma clarear esta situação, iniciando com os argumentos de Zen-Budismo.
Zen-Budismo
Outro dia quando cheguei na aula de Yoga, fui surpreendido com uma pergunta:
O que é Zen-Budismo?
Peço desculpas, pois não fui sincero, enrolei e não respondi. Talvez porque de fato a partir do momento em que terminarmos de fazer esta pergunta, não exista resposta! Mas vou tentar dar uma resposta, como diria didática, como segue abaixo:
Segundo os meus estudos não existe resposta para isto, ou a resposta parcial poderia ser:
“O Zen não é decididamente um sistema fundado na lógica e na análise. É algo antípoda da lógica e do mundo dualístico de pensar. Pode haver um elemento intelectual no Zen, pois ele é a mente total onde encontramos muitas grandes coisas. Mas a mente não é um composto, que deva ser dividido em tantas faculdades, nada deixando após a dissecação. O Zen nada tem a ensinar, no que diz respeito a análise intelectual, nem impõe qualquer conjunto de doutrinas aos seus seguidores. Qualquer ensinamento que exista no Zen vem mediante nossa própria mente.
O Zen sustenta ser budista, mas todos os ensinamentos budistas, do modo por que são propostos nos sutras e sastras, são tratados no Zen como mero papel, cuja utilidade consiste em limpar o lixo do intelecto, e nada mais...bla,bla,bla”. Parte do livro Introdução ao Zen-Budismo de Suzuki.
Como pode-se observar no texto acima, e isto segue no livro todo, as palavras mente, intelectual e intelecto repetem-se várias vezes. Como sou petulante, me atrevo a dizer que o Zen-Budismo está alicerçado na mente! Portanto, é na mente que as coisas acontecem e assim poderemos ter o controle dos pensamentos, ou melhor, do sem pensar.
Também nas minhas experiências pelo mundo a fora, fui em busca da resposta para esta pergunta: “O que é Zen-Busdismo?”
Talvez parte da resposta esteja na mente..., mas onde fica o amor nesta história, nunca ouvi falar! Isto pode explicar porque os orientais tem um ótimo auto-controle e educação, pois controlam bem a mente, mas também explicam os autos índices de suicídios, pois os orientais têm uma imensa dificuldade em lidar com sentimentos e com o coração. Esta dificuldade em lidar com sentimentos, pude observar na prática conversando com eles. Eles quase não se tocam, não se abraçam e sentimentalmente são muito fracos para tratar com os temas ligados ao coração e aqui quando falo isto, não falo de amor entre casais, mas em troca de sentimento entre pais, filhos e irmãos.
Minha conclusão petulante sobre o Zen-Budismo:
O Zen-Budismo trata da mente, do controle das emoções ou do controle da criação das emoções. Este para mim é o grande desafio para as próximas gerações, focar mais em buscar o amor sem preconceitos entre as famílias, amigos, colegas, etc.
Amor
Bem, agora entra em campo o Amor, se achando e colocando os seus principais argumentos, claro que um pequeno texto não poderá explicar tudo, mas serve de exemplo:
Para clarear melhor esta situação, vou contar um acontecimento recente, ocorrido comigo em Porto Alegre ( Forno Alegre, pois foi neste verão).
Vinha eu por uma movimentada avenida de Porto Alegre, de paletó e gravata, dirigindo o meu belo carro importado e ar-condicionado no máximo, quando vi no meio do engarrafamento do trânsito, um homem todo sujo, puxando uma daquelas carrocinhas com sucata e papelões cheia. Tinha uma imensa dificuldade em deslocar-se no meio daquela confusão. Dentro da carrocinha, havia uma criança com no máximo 4 anos de idade, também toda suja!
O que eu vi neste momento? Apenas o amor incondicional da criança para com o pai. O seu mundo estava parado e ela somente tinha olhos para o seu pai, transmitindo amor e compaixão. Já do contrário, o pai de vez enquanto parava e observava o filho, também transmitindo amor e segurança no meio daquela desordem. Será que isto é Amor? Acho que cada um deva responder para si esta pergunta.
P.S. Pai e filho foi por minha conta, pois não perguntei para eles se de fato eram pai e filho, talvez no plano espiritual sim...
Minha conclusão petulante sobre o Amor:
O amor trata das coisas do coração, dos sentimentos, da compaixão, da não violência e do perdão. Simples, curto e objetivo!
A peleia continuava na esquina entre o Zen e o Amor, o clima estava tenso e já estavam quase se agredindo, quando de repente chega um cara chamado Tao, se achando o tal (com “L”). Disse que poderia ajudar nesta discussão e seria um mediador, um juiz de paz entre o Zen e o Amor.
O Zen e o Amor se entreolharam e concordaram em que este tal de Tao fosse o mediador da batalha.
Tao
Fui atrás desta reposta para entender o que é Tao. Fiz inúmeras pesquisas e li alguns livros sobre o tema, mas nada ficou muito claro. Como sou simplista e objetivo, busquei em alguns sites a resposta para me dizer o que é o Tao. Segue abaixo um que gostei:
“Tao (pronuncia-se “dao”) significa literalmente “o caminho”, tanto no sentido físico como no de conduta, meio. É um princípio universal subjacente a tudo - da criação das galáxias até as interações entre pessoas. O funcionamento do Tao são complexos e freqüentemente transcendem à lógica humana. O raciocínio não é suficiente para compreender o Tao. Temos de utilizar também a intuição.” http://www.taoism.net/br/articles/what_taobr.html.
Ops! Li a palavra intuição na definição de Tao! Será que então é isto?
Lá na esquina, esquina esta que somos nós, onde estavam o Zen-Budismo, o Amor e já o Tao as coisas pareciam que estavam resolvidas e os ânimos estavam acalmados.
Bem, acredito que a intuição do mediador Tao é o melhor caminho, ou o caminho do meio entre o Zen-Budisto e o Amor, portanto não existe batalha, não existe vencedores e nem vencidos, somente o Tao e sua intuição. O equilíbrio entre mente e coração é o caminho do meio e é a resposta para diversas situações que enfrentamos diariamente em nossas interações.
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